Quando completei a idade de 15 anos, eu caí na bestagem de esperar uma onça pintada suzinho para provar que era homem, que já tinha-se tornado homem. Porque na lavoura havia destas coisas. Quando completava 15 anos, já era homem. Não havia esse negócio de adolescência, não. Era menino, depois homem. Na lavoura, se fosse um menino sério mesmo, firme, quando completasse 15 anos, podia andar com a espingarda de seu pai, podia andar com o revólver do seu pai à cintura, podia fazer negócio, vender um vitelo, trocar num cavalo, comprar uma bicicleta, trocar uma novia grande em duas novias pequenas. E o melhor de tudo, podia namorar, tinha liberdade para namorar. Tanto os pais da gente que era homem, quanto os pai das raparigas, das raparigas, quando completavas 15 anos, tavas liberado para namorar, já era homem, porque naquele tempo com 16, 17, 18, casava tudo.
Então nós naquele tempo o quê? era doido para fazer 15 anos e fazer algo assim diferenciado para você provar que é homem, não é? fazer uma grande tripolia, por exemplo, matar uma onça, Suzina mata, ou chegar à beira do rio Corumbá de noite, madrugadão, a canota do outro lado, arranca-se a roupinha e tipo na madrugada atravessar o rio lá buscar a canoa e voltar. Ou por exemplo, não levar um desafora, tens 15 anos, estás numa festa aí, um outro caboco maior do que tu mais forte, tira-lhe tempo, como diz hoje, não é, quer lutar consigo e ele tando errado, não é, um desaforo, um desacato, um desrespeito, você escorar o bicho, seja na bala, na peixeira ou no braço, escora-se aquele peão e põe-se ele no lugar dele. Aí já está, aí estás a virar homem. É isso que a gente queria fazer.
Só que no nosso caso, graças a Deus, lá em casa, nós nunca foi invocado com negócio de valentia, negócio de briga. É, a gente não não queria mostrar que era homem a lutar, não. Eu queria mostrar que era homem porque o corumbá o atravessar de madrugada para ir buscar uma canoa ao outro lado, porque havia uma menina que eu queria namorar que estava na turma. Eu fiz 4 horas da manhã viemos de uma festa, ninguém tinha coragem. Eu com 14 anos, Arranquei a roupa, subberando no barranco do rio, saltei lá para cima e vim vapo, vapo, vapo, vapo. Ele disse que os povos que estava do outro lado foi escutando a minha, o meu barulhinho na água até que aquele barulho desapareceu, que o rio era muito largo, de madrugada, escuro, passados uns 20 minutos, cheguei lá com a canoa atravessar o povo.
Eu já tinha feito, mas queria mostrar mais que eu era homem, que eu era macho valente, queria, não é? E apareceu essa oportunidade porque o meu pai era um dos maiores caçadores de onça lá da região, bom cão, boa espingada. Aí o que que aconteceu? Num dia de manhã cedo, eu estava faltando cerca de dois meses para completar os 15 anos. No dia de manhã, bem cedo, chegou lá um agricultor, chamava Abrão. E este Abrão tinha duas filas muito bonita, mas muito bonita mesmo. Era o sonho de qualquer rapaz daquela região ali namorar e casar com o da filho do Abrão, que era demasiado bonita mesmo. E eu não ficava de fora desta turma.
Depois Abrão chegou lá a casa, mãe, sendo dia, a mãe estava a fazer um café assim no fogo alenha, ó. Lá em fogo além, deixa eu ribar aqui que eu hoje estou a cozinhar uma costela de boi para o almoço. Depois o Abrão chegou lá a casa, manhec no dia, nem sequer bebeu o café em sua casa, veio beber o café a nossa casa. Chegou cedo, nós percebemos que ele ia chegar, que ele tinha um cãozinho bacesado assim. A mãe a fazer o café quando o cãozinho de Abrão entrou na sala a correr. Aí a mãe, ué, cão do Abrão aqui, este hora ele está a chegar aí. Aí nós já ficámos por ali.
Abrão chegou. Ele era um homem esparolado assim, ligeiro, agoniado, falador. Chegou e disse: “Ó Job, tens de matar lá a onça, que ela apanhou uma bezerra minha das mió esta noite. S ô comboio desgramado, rapaz. Uma bezerra das mi, eu até tinha dado esta bezerra a minha filha mais velha. E a onça vai apanhando, a menina está ali triste. Oh, rapaz, mas eu eu quero que vais lá matar essa onça para mim. Se você matar esta onça para mim, pode escolher a leitor que quiser no chiqueiro lá e trazê-lo para si. Que a gente era muito pobre, passava dificuldade, ele lavrador, pomposudo, assim, meio papudo. Pode escolher lá, ó. Job, o meu pai chamava-se Job. Pode escolher lá, leitura que quiser.
E o meu pai tinha a perna magoada, s ele tinha caído de um cavalo chamado Gaúcho. O meu pai foi à venda, tomou unos três golas mais e o gaúcho era refugador. Voou uma codor à beira do caminho. O gaúcho deu uma de lado assim, atirou o meu pai no chão e ele estava com a perna magoada, estava mal caminhando. Aí o pai, ó rapaz, eu não tenho como ir. Ó, a minha perna como é que está. O joelho do pai estava a parecer uma abóbora madura, ó, deste tamanho. Não tem jeito de eu ir.
Depois saltei para a frente, falei, não, eu vou lá matar a onça para ti. E lá tu, rapaz, que isso, rapaz mexer. Eu disse: “Não, eu vou lá matar para você a onça e vou ganhar a leitora, você deixa-me ir, pai, empresta-me a espingarda.” Depois o pai, não, filho, negócio de onças não é brincadeira, não, hã? Vai, eu acho perigoso. Não, eu vou. Por quê? Eu queria mostrar a vantagem, não é? Eu queria mostrar às filha do Abraão que eu era homem, que eu era forte, que já podia namorar, que já podia casar, que era brabo, não é? Ela já sabia que um dia eu tinha atravessado o rio Corumbá à noite, madrugada, suzinho. E eu imaginava que se elas soubessem que eu tinha matado uma onça, que eu era corajoso, casava com uma delas.
Embora certamente que aquilo para elas não significava nada. Certamente o sonho delas que era filho de lavrador era vir para a cidade, estudar, não é? Serem professoras, trabalhar na câmara municipal, ser médica, não é? Sei lá. Mas com certeza que casar comigo não era o sonho dela. Podia matar 1000 onças e atravessar mil vezes o Corumbá de madrugada que não ia casar com nenhuma delas. Aí, mas eu imaginava que sim, não é? Eu tinha esperança. Eu achava que se eu provasse que era macho, homem corajoso mesmo, até o próprio pai dela ajuntava e induzia-as ou mandava, não é, que elas namorassem e a gente casava. Eita, a si é parvo, hein?
Pois bem, depois o pai, rapaz, este menino é meio corajoso e ele já foi comigo em muita espera de onça. Ele sabe como é que funciona, ele é corajoso. Ele não, não acredito. Mas está bom, se quiser ir, pode ir. Aí o meu pai, que hora que ela apanhou a vitela? Ele só foi de madrugadinha. Eu vi quando o gado se assustou e os cães ladrou era por volta de umas 3h30 da manhã, mais ou menos. Aí o pai disse: “Está facinho de a matar”. Ela vem 12 hours depois de ter comido, ela vem comer outra vez. A marca é 12 horas. A onça come 12 horas, depois vem comer de novo. 12, 13 horas. Vai dar certinho, meu filho. Dá para matar ela de dia ainda. Ela apanhou 3 horas da manhã, ela vai voltar entre as 3 e as 6 da tarde, ela vem comer o resto da carniça. Se você tiver coragem de ir ganhar a leitora do Abraão.
E o pai sabia, o pai da gente sabes o que estávamos a pensar, né? O meu pai, a minha mãe, o meu irmão mais velho ficou a rir. O Pedro está querendo mostrar para Abraão que ele é forte, que ele é corajoso, que ele é matador de jaguares para ver se casa com a filha dele, não é? Filha de lavrador, bonita. E era isso mesmo, certo? A gente, não diria que era parvo, não, mas a gente era tão humilde que pensava realmente este ponto que para provar que é homem tinha que ser valente, corajoso, astuto mesmo e peitudo mesmo. A gente pensava que as mulheres queriam era isso. Elas queriam isso, mas queriam muito mais. E o mais não tinha.
Mas o que aconteceu? O meu pai tinha uma espingardona de carregar para a boca, dois canos que vieram de uns familiares dele, pessoal de Marsala, veio lá de Silvânia, Cruzeiro, para aquele lado ali. Essa espingada era dos antigos familiares do meu pai. Mas pensa na espingada que era um espectáculo, uma espingada de de cão, não é, de carregar para boca, dois canos. Os candela eram curtos, não era daqueles canão comprido, não. Os can dela era tamanho do cão, uma espingarda 12 destas que que os bandidos hoje usa aí para enfrentar o as polícias, não é? Eh, outro comboio arrumado e ela estava cheia de preguinho de prata, como se fosse uns uns preguinhos assim, ó, na coronha dela todinha, aquelas acabamentozinho de prata, como se tivesse pregado um preguinho de prata nela toda assim na coronha. Mas era linda, linda espingarda. Espingarda que nunca lencava um tiro. O meu pai conta que desde o tempo que ela era do pai, do avô, passou para mão dele, nunca lencou um tiro. Só que bem zelada.
A espingarda de espuleta de cão, você carrega, não deve guardar ela carregada durante muitos dias. E se ela tiver carregado há muitos dias, você tira a espuleta velha e põe uma espuleta nova ali no no vidro ali, ó. Mas não nega de todo. Esta espinga estava carregada só de um lado. Depois o meu pai disse: “Ó, vou pôr uma garrafa ali na cabeça do curral e dá-se um tiro. Se acertar no meio da garrafa, deixo-te matar a onça, que depois vamos esvaziar esse lado dela que está com um tirinho fraquinho de matar com a tia. Eu vou fazer duas cargas nela por ti, que é para matar a onça mesmo. Se acertar, ela joeia em cima do lugar e não há este negócio de vir no fumo não. Que bateu ela muqueca.
Pai deu-me a espingarda, pôs uma garrafa em cima de uma estaca assim, uns 30 m de distância. Depois quis escorar na cerca, disse: “Não, não, meu filho, assim não. Tu vai pôr o a coronha dela aqui no no peito e vai a meio do tempo.” Não é assim não. Eu apanhei a bichona, pus aqui, firmei p sa garrafa ver como ficou um caco. É o meu filho, puxou ao pai, hã? Carboso o meu pai ficou.
Depois o meu pai pegou nessa espingarda, untou-a ela, ajeitou, limpou, pegou numa paia de mi, rasgou, limpou-lhe os dois vidos, bem limpinho, ajeitadinho, pegou na vareta, enrolou um pano na vareta, limpou-lhe os canos por dentro todinho, deixou a bicha limpinha, deixou ela ao sol à tarde um pouco e carregou ela dois tiros de matar onça. Cada um deles meteu uns 15 a 20 caroos de chumba e mais um balotinho de cada lado, bem carregada mesmo. Pegou nas p, disse: “Ó, levas só a caixa, ele chamava esciva, leva apenas a caixa de escoriva que não vai ter tempo para carregar a espingada. Se falhar o tiro já era. Leva só uma caixinha de escóiva no bolso que caso ela venha a lencar, você troca a escoviva, troca a a espuleta ou às vezes dá uma chuvinha, alguma coisa, ou eh cai um pingo de água de uma folha nela. De qualquer forma, se precisar troca só a escova, que isto aqui não faia de maneira nenhum.
Ah, eu ansioso, hein? Doido, para ir logo e, não é? Com vontade de ir logo aí, pai. Não, meu filho, podes sair daqui por volta de tr de de meio-dia, almoça primeiro. Depois almocei logo, ela li para meio e meio, uma hora já raspei logo lá para o rumo da casa de Abraão. Cheguei lá com a espingardona travessada aqui. As meninas dele nemortou com aquilo, nem acho que elas nem vira. Eu queria, eu dizia assim, não. Então eu vou subir para matar a onça ali. arranja lá a faca para tirar o couro. Quer dizer nada para ver se as meninas assuntava, dava-me atenção, não é? Hã, ela estava lá no num quarto ouvindo um radinho, não viu nada, mas não perdi a esperança. A gente não perde a esperança, não é? Depois fiquei lá um pouco dis vou subir logo. Aí ele disse: “I vou lá à carniça contigo mostrar onde é. Cuidado para não sujar as calças quando ela chegar, hã, menino?” Ele sempre a tirar-me, sabe? Parece que ele estava a adivinhar.
Aí, rapaz, lá vamos nós. Subimos uma grande serra que tinha assim pro rumo do açud dele. Subimos aquele monte, passou no parque das guerobes e duplicou com aquele mundo mata muito lá à frente, do outro lado do Ribeirão. Vê-se que a onça era tão grande que ela apanhou a novilha, uma noviota e passou o Ribeirão com ela. foi comer do outro lado. Ele achou porque ele foi seguindo na batida, arrastar da da onça. Toda a gente admirou, mas só que nós não tinha pensado num causo, não era uma onça só, eram duas.
Aí, pois bem, nós foi naquele batido ali, quando comecei a ver o batido da onça, ver o lugar que ela arrastou, vê que ela passou com a novia dentro do ribeiro, desceu de um lado do escorrega e subiu do outro lado, quase no mesmo rumo. A água nem deu conta de a forçar para baixo, o velho coraçãozinho começou a disparar. Eu digo, mas não posso falhar que tem que ser homem. Eu tenho de provar que sou homem, que como é que eu vou namorar com uma das filas de Abraão ou casar se eu não matar a onça, não é? Eu para além delas povar para toda a região para sair, não é? O filho de Job matou uma onça, aquela coisa toda. Enfim, era deste tipo. Só nós que é do campo, que tinha essa humildade, esta simplicidade para não chamar de disparate, é que percebe o que eu estou a dizer. Quem já viveu isso percebe o que eu estou falando.
Chegámos lá, por concluência, a onça parou debaixo de um paóleo que era um buta de um paóho grande, muito alto mesmo. Ele falou: “Ó, o melhor lugar de ti esperar é no pau d’óleo, só que o pau d’óleo é muito espesso. Caso erra o tiro, ela sobe e apanha-te. que sabemos que a árvore grossa é melhor para a onça subir. Se subir numa árvore fina assim, ó, e ficar ali em cima, a onça é mais difícil dela subir, que ela precisa de abraçar para poder subir. Depois olhei para cima e talha, vi lá onde é o Paolo tinha umas three gaas juntas assim, dava um lugarzinho de sentar fresco.
Aí, só que havia um pé de carvoeiro. Carvoeiro ou cravoeiro, ele dá, não é? Uma madeira linheira assim, ó, da alta e comprida. A gente tira para fazer trava de casa, fazer pinguela, fazer comunheira da casa, do rancho. Cajoeira é uma madeira no mato, muito comum na minha região. Tem ele do serrado e do mato. Este era do mato, um cavoeiro branco. O cavoeiro branco nasceu, passou dentro da gaia do paaldó aqui e subiu mais uns 5 m para cima. Eu disse: “Não, Abrão, não tem perigo não. Sabe porquê? Eu vou ficar nesta furquia aqui, ó. Caso eu erro o tiro nela e ela me vier buscar, primeiro que eu não vou errar. E se eu falhar o tiro e ela me vier pegar, eu subo para este caviro para cima aqui, ó. Depois nesse cavoeiro ela não sobe porque não há jeito. O cavoeiro era fino assim, ó, comprido e fino. O cavoeiro ele dá igual. Às vezes o pé dele é desta grossura aqui, ó. Ele vai dar a mesma grossura até na ponta. É quase igual um um tubo de PVC, perfeitinho para fazer madeira de casa naquele tempo.
Ele é, tá certo, faz sentido. Então está bom. Eu notei que ele estava meio com medo, já estava aí já eram umas 2 horas mais ou menos. Quando nós lá chegámos, eu vi que estava meio apressado, ele com a espingadinha velha também na cacunda e com o seu cãozinho. Aí ele tinha mais dois cães em casa. Cachorro grande, cão até metido da caça, mas a gente tinha amarrado deles para ele não espantar, sabe? este pequenininho que não lhe saía da cola. Depois ele disse: “Olha, eu vou amarrar os cachorros. Quando ouço o tiro, eu vou ficar de oi.” Ouviu o tiro, eu solto os cães e já vem com eles, com a minha espingarda e vem para encontrar-te que elas vão vir. Se você não matar, só se não tiver coragem de disparar ou falhar o tiro. Caso contrário, ó, que eu ouvir o tiro, eu vou ficar de olho lá. Falar pras meninas, para a mulher, para nós ficar tudo de hoje.
Quando ele disse as meninas, eu Fiquei opa, eita aquela filha de Abrão ouvir-me dar um tiro e saber que eu matei uma onça, eu com ela. Ui, isto é facto. E he chegou a casa e realmente avisou a mulher, as raparigas. Ó, filhota tá à espera de uma onça lá na cabeceira do açud. Quando ele ses escutar o tiro, solta os cães, porque às vezes o tiro não pega bem na onça, dá algum problema. Ouviste o tiro, soltas o era tupão, outro não sei se presente, uma coisa assim, dois lepas de cão, cão de lavrador, aqueles gordo forte de bebessoura do queijo, aqueles cachorral, certo? Forte, grande, o ladrar ou ou latidão de cão de agricultor é diferenciado.

Pois bem, subi lá para cima do pau e estou lá. Nada, nada. Deu 3 horas, deu 4 hor e vai descendo. De vez em quando o medo vinha e eu firmava na coragem, pensava: “Eu tenho de ser homem, tenho de provar que sou homem.” Olha, porque senão como é que eu vou provar que eu sou homem? Eu já tenho 15 anos, falta dois meses, tenho de ser homem, eu tenho que matar estas onças. E estou lá em cima por volta das 5 horas da tarde, 5 e pouco, ouvi o barulho. Depois ela a fazer aquele rapado na guela. Eu olhei assim, vi ao longe quando ela veio no meio do taquari assim, ora eu vi, ora não vi, ora vi, ora não vi, vi quando ela veio, rapaz, uma lea de uma onça pintada, ó, por aqui aa comprimenta. O rabo da bicha muito maior do que esta bengala, aquele rabão comprida, dando aquelas gipiadas assim, ó. E ela veio e começou a comer. Ela comendo e olhando para trás.
Quando não, lá vem outra onça maior do que aquela ainda. E com fiotão assim do lado, ó. Conheça o Vet Pro com o Dr. Flávio Rangel, o cuidado com o animal, a reprodução, clínica médica, cirurgia bovina e muito mais. Atendendo todo o Brasil. do Iapocui. Resultado no campo: Better Prossir, telefone 1299109122 e-mail: [email protected]. Um fiotão, sei lá, do tamanho de um cão grande assim, ó. Fiotão bonito. Depois agarrou os três lá a comer e eu lá em cima comecei a tremer. Eu disse: “É, não tem coragem para disparar. É três onças, é duas e um fiote. Como é que eu vou fazer? Se eu disparar, tenho que matar as duas. Tem de acertar um tiro em cada uma. E tem de descer e matar o fiote no facão, porque este fiotão aí ele não vai correr, ele vai enfrentar-me. Eu tava com um facinho à cintura, disse: “Meu Deus!” E outra coisa, se eu falhar um tiro numa, estou na xaroba, porque eu falhei um tiro numa, aí mesmo que eu acerto na outra, ainda fica a outra e fica o filhote. E eu a tremer de medo.
Ela chega, estava, disse, desta maneira que eu estou aqui, não adianta eu tirar que eu não vou acertar de todo. E as três ali a comer, mordia e puxava. De vez em quando uma meio que queria brigar com a outra, deduzi que era o pai, a mãe e o fiotão. E o fiotão a comer. E a mãe puxava na nuvia assim, ó, rasgava aquela mantona de carne assim, ó, e soltava para o fiote e ia buscar outra para ela. Aí você escutava os ossos crac crac crac crac, elas partindo os ossos no dente. E esta mãe vai mãe, não é? Mesmo no reino animal, a mãe é um bicho danado. Olha o que que a mãe, deduzo que é a mãe que eu não me deu para ver qual era o macho, qual era a fêmea, não, que eu estava, elas estavam de frente para mini e o medo também não deixou ver esse pormenor. Eu deduzi, rapaz.
De repente, a mãe dela estava mordida ali, a puxar um bocado assim, ó. Aí parece que ela virou os olhos para cima um bocadinho, ela soltou aquele peleaço e deu aquele e olhou para mim lá em cima. E o meu amigo, não sujei a carça porque tinha comido pouco que tinha comido feijão com farinha, senão tinha sujado. Aí ela passou a ver-me e quando ela me viu que deu este grunhado, a outra onça e até o fiotão toda a gente ficou a ver-me. Aí o quê? Eles iam comendo, mordia lá, puxava para trás e mastigava olhando para mim. O outro ia mordia, chegava a estralar os ossos. CL mordia, poxava, ia comendo e disse-me: “Ah, estas onças vai subir aqui, vai-me apanhar e não vou ter coragem de disparar de maneira nenhuma porque são duas. Se eu disparar e falhar uma, de qualquer forma estou no perigo. Eu vou esperar elas comer bastante. Quando elas encherem a barriga, vou dar um tiro para cima. Abraão vai soltar os cães, elas correm e eu vou-me embora antes de ficar de noite.
E eu fiquei ali e trocendo, torcendo para que enchessem a barriga logo, para elas comessem logo, para que enchessem logo a barriga e nada e nada. E elas comendo, comendo e olhava para mim de vez em quando. Hum. Dava aquela olhadela para mim e olhava para o fiotão. Eu disse, rapaz, o que é que eu fui inventar? E eu assim, ó, a tremer, não tinha coragem para disparar, mas não, não deu mesmo. Eu disse se este medo que eu estou aqui, eh, se eu disparar, eu vou errar e elas vão subir aqui, vai querer apanhar-me, vou ficar, vai ficar a me vigiando lá de baixo. E se caso estes cães não vim, vou ter que passar a noite aqui.
Eu já tinha esperado onça com o meu pai, mas o meu pai era experiente, bom no tiro. E as vez que fui com ele era uma só. Ela chegava, começava a comer, não nos via. Ele caçava uma boa posição, bem arrumadinho. Quando ela levava ao pé do ouvido e pumba, ela só dá um pinote e caía morta. Nós descíamos, tirava o couro, levava o couro e os quartos para comer e já está. Não passava disso. Só que nesse dia não foi assim.
Depois quando vi que o comboio tava perto de escurecer, falei: “Estas onças, não é possível que não estejam com a barriga cheia”. Ah, a coluna velha está a instalar aqui, mas vai dar para nós terminarmos o caso. Rapaz, só tive, filete, vou dar um tiro para cima, elas vão correr e depois o Abrão solta os cães e eu dou uns gritos também. Aí vem cão dos outros vizinhos, vai dar uma alvorada aqui e desaparece com elas e eu invento uma história e e ficará por aqui. E assim fiz, em vez de eu levar a espingardona nas onças, levei a paneleiro, foi para cima. O pai tinha posto um tiro mesmo bem arranjado mesmo, bem ao jeito mesmo. Eu armei aqui a bichona. Ela tinha dois tec, podia dar o primeiro pique e o segundo. Até no primeiro podia puxar que saía, mas eu fiz questão de ir ao último. Depois veio para cima, b aquele tiro dentro do mato.
Rapaz, esta que estava com cria, quando o tiro bateu, ela só fez assim e deu-me aquela olhadela assim, deu uma quebrantada no rabo e meio que cercou o filhote e os dois, ó, piou-se no mato e o outro, rapaz, ficou enfrentando-me. Ficou ali, mordia na carne, olhava para mim. Eu disse: “Agora lascou. Agora o comboio ficou feio. Eu só estou com um tiro. A outra foi-se embora. Mas ela pode estar por aí perto. Mas os cães vão vir? Os cães vão vir. Aí esse corre. Aí vou-me embora e invento um caso e pronto.
Só que, no que dei o tiro, o Abrão soltou lá os cães e eu comecei a dar uns gritos também. A cachorrada, quando este outro ali escutou o barulho da cachorrada, em vez de ele correr, não é, que eu era a minha ideia, achei que ele ia correr, que ele ia desaparecer, o desgramado veio e foi marcando, que o paó era muito grosso assim, ó, lembras-te do pau d’óleo. O desgramado veio, marcou, foi no rumo do paóle para subir a para o rumo que eu estava. Eu não sei se ele pretendia ir no rumo que eu estava ou se ele ia subir para uma outra gaia para se defender dos cães. Ele com a barriga muito cheia, certo? Com preguiça de correr. E ele também não estava com medo não. Ele fazia dava aquela gurpeada no rabo assim, ó. Mas não via que ele não estava assim assombrado não, rapaz. Ele chegou ao pé do Paul, deu umas amolada na unha assim, umas duas arranhadas e começou a pró. Falei: “Agora seja o que Deus quiser.”
Quando começou a pro o gato, o felino em geral, quando vai subir a uma árvore, ele dá uma molada assim nas unhas e depois ele levanta assim, ó, para dar uma vista de olhos. Aí ele mexeu assim, ó, na na coisa que eu levei a espingardona e fiquei a apontar bem na cara dele. Ele amolou as unhas assim. Quando ele fez isso, ó, que ele levantou-se, que me viu e analisando o lugar peliu só levei a as pingada aqui no papo dele. Eu só vi quando ele virou-se de costas e saiu a rodar no chão. tentou passar por cima da carniça, andou assim uns 4 m e travessou na moita de Taquari e atravessou, engrunhou, engrunhou e quetou.
Eu disse: “Eita, diabo, agora eu, agora tornei-me homem, se não casar com a filha de Abrão, mas eu caso com a outra rapariga, que é porque agora eu com 15 anos já matei uma onça, já travi, um curbano, agora chego a uma felicidade que não sabia que tanto, eu só tinha medo do Abraão num que já já era tardinha e eu ter que ir embora sozinho com a espingada vazia, Mas quando os cães dele vieram, vieram mais os cães do vizinho e virou aquele aranzé de cão, ele veio, ele o bicho era corajoso também, veio com a sua espingardinha, com a lanterninha de duas pias má, que ele era assim metade mão de vaca, metade pão duro, utilizava as pias da lanterna até ficar fraquinha. A lanterna dele estava igual a um cigarro, lumiando apenas um. E eu lá em cima do pau e que já estava escurecendo. Aí vi quando a cachorrada veio que veio virada no 70. Depois algum dos cães ficou lá a morder a onça morta latina e outros partiu para cima da outra que tinha corrido com fiote.
Aí logo chegou e gritou: “Ó Ped! Uh! Estou aqui”. Depois já desci do pau ligeiro para ficar ali perto da onça. Escorreguei lá de cima com a espingada e quando chegou com a lanterninha dele, aquele não meiava nem igual um o cigarro do meu pai que era um cigarro de fumo grosso, niava mais do que aquela lanterna de Abrão. Ele com a lanternica aí aqui, ó. Peguei assim no pé, bati o pé na onça, empurrei para lá assim, apanhei a corona da espingada e virei, falei aqui, ó, quando o tiro lhe pegou bem no papo, ele é, tu tornaste-te mesmo homem, né? Filho de Job, não nega, não. Os bicho é danado, certo? Cabque eu não tinha essa coragem. Eu disse-lhe, ó.
E era três onças, não era? Por isso que atravessou a novia no coro. Deixa-me dar aqui umainha no fogo, senão o meu almoço não cozinha. Eu falei: “Ó, e não era por isso que estás admirado dela ter atravessado o ribeiro puxando a onça, que era duas onças grandes mais um fiotão.” Então, na altura em que pegou ali, apanhou foi as duas, por isso é que ela travessou. Só que elas chegaram as duas depois a primeira eu disparei, mas não, eu estava meio nervoso. O tiro pegou mal apanhado. O tiro apanhou acho que na pata dela assim, ó, e ela desesperou no mato correndo e miando. E o fiote foi atrás. Depois esse outro ahí ele levantou-se para me olhar e caprichei mais. Acertei bem debaixo do queixo dele que a chumbada saiu a meio da cabeça. Mas a outra o tiro apanhou malo apanhou. Sem ele saber que eu tinha dado o tiro era para cima para ver se espantava, não é?
But quando vi que a bicha ia subir para a mesma árvore que eu estava, não sei se ela ia em direção a mim para me apanhar, que o paolo era demasiado grande ou se ela ia apanhar uma outra gaiada e ia só se posicionar escondendo dos cães. Mas na dúvida aí, o quê? O medo que fiquei obrigou-me a virar homem sem querer. Eu só tinha duas oportunidade. Ou deixá-la apanhar-me ou eu apanhá-la. Se eu falhasse o tiro, ela apanhava-me. Ela ia subir e ia acabar pegando-me. Mesmo que eu subisse nesse outro carvoeirinho e tal, ela ia acabar pegando-me.
Ou então o que ia acontecer? Eu falhava o tiro, ela subia, eu jogava espingarda no chão, subia para esse outro cavoeirinho, ia ficar lá em cima. Quando o o lavrador das fias bonitas chegasse, o que é que ia ter? Qual é a cena que ele ia ver? A onça em cima de um pau de um lado, espingada no chão e eu em cima do carvueiro todo cagado. Como é que eu ia provar que era homem, certo? Mas aí à noite ainda nos arrastou ela um pouco para fora do mato. Ele procurou lá um burrinho dele manso, amarrou-a ao ral do burro. Burro assim com medo. Disse nó levou-a para casa dele, tirou-lhe o cor. A dia à noite levei para casa os dois quartos dela para nós comermos trado jogado aqui nos ombros. Ele tirou-lhe o cor bem tiradinho, que era capchoso com a boa faca. Tirou-o bem tiradinho, salgou, envarou, pôs as varas e tudo, pendurou lá no paiola e contava aos outros. É que o menino de Joa onça.
Só que o namoro com a filha não resultou não, nem com ela e nem com outras. Eu eu podia ter matado 1000 onças, ter atravessado o Corumbá 1 vez. Nem as filhas de Abraão e nem as outras mocinha ia dar-nos uma oportunidade, porque tinham o sonho de para essa cidade para estudar, para ser alguém na vida, certo? E estavam corretas, certo? Que futuro teria eu naquele tempo se nós casasse com 15, 16 anos, não é? Eu até que era giro, mas muito humilde, muito tonto. E elas até tava certa, não é mesmo?
Termina aqui mais um caos saloio no nosso canal Pedrão Bocó, causos caipir. O caso não é de rir, não, mas é engraçado, certo? A gente lembra-se aí. Que Deus o abençoe, à sua família. E se gostou do carro, você se subscreve aqui o nosso canal. Pode ser deste lado aqui. Às vezes a bolinha está aqui, às vezes está desse lado. Você clicou, já está inscrito no nosso canal. E também se nos acompanhou aí, se nos acompanhou do Pispi até o final, isso prova-me que você gostou do causo e eu fiquei dos mais satisfeito por saber que nos acompanhou desde o Pispi até ao fim do causo.
Então subscreva o nosso canal, dê um joinha, dá o joinha, faz o comentário, tudo é importante. Mas uma das coisas mais importantes para si que gosta do o nosso caos, quer acrescentar connosco, é você subscrever o nosso canal. Quando subscreve o nosso canal, seja aqui ou aqui ou aqui em baixo, não é, tem inscreve, estás a fortalecer o nosso canal, estás a dar musculatura pro nosso canal. O algoritmo aquele rapazinho que toma contas ela aqui do YouTube, do YouTube, quando se inscreve, ele bate palmas, ele percebe que se gostou, outras pessoas vão gostar. Depois ele divulga e manda na celularada do povo tudo, nos nos povo tudo do Brasília e do mundo tudo. E assim o nosso caso vai, ó, rompendo. Nós estamos a caminhar para os 30.000 inscritos e preciso da sua ajuda para nós chegar logo aos 30, depois aos 40, aos 50.º
O meu objetivo é crescer. As costas dói, firmamos aqui na bengala. Às vezes fico uma semana sem contar um caos, cuidando da coluna. Nós bambeia, mas nós não cai lá. O medo da onça fez eu tremer, fez-me ficar com medo, mas no aperto acertei o tiro no papo dela e tem a história para contar. E mesmo desse tempo, eu não tando muito bem de saúde, como ando hoje, chegando aos 60 anos, mas sou um homem forte e de coragem e de muita fé em Deus. Até porque eu estou a chegar a estes 60 anos. Eu casei tarde, casei com 45 e as filhas do Abrão e dos outros lavradores não quis casar comigo quando tinha 15 anos.
Então estou a chegar aos 60 anos, tenho um filho de 12 e um de 10. Portanto, preciso mostrar-lhe firmeza, coragem, determinação, certo? Para dar um exemplo de fortaleza pros filhos. Hoje os filhos não se tornam homem quando mata a onça, quando atravessa o rio anado ou quando um leva um desafora para casa. Mas nós que somos pais temos dever e obrigação de dar bons exemplos e bons conselhos. Mas os bons exemplos supera os bons conselhos. E é isso que às vezes é bom ser pai mais tarde. Depois casei com 45, portanto hoje não tenho muita força física, não consigo fazer muito pelos meus filhos, mas eu posso dar bons conselhos e bons exemplos e dar contar uns causin para eles. Às vezes ficam assim meio na dúvida, mas como eu sou pai deles, não é? Eles acredita. Ah.
Disclaimer : This content may be created by AI for entertainment purposes. Any resemblance to real persons, events, or places is coincidental.